Depoimento incompleto....
Este livro nasceu de histórias que ouvi do meu pai (in memoriam) e dos meus tios. Alguns meses antes de morrer, meu pai revelou alguns episódios, me contou desses nossos parentes krenak...
Foi então que fui até Minas. Investiguei aqui e ali, e procurei saber e lembrar de tantas outras histórias narradas pelo tio Lúcio, pela tia Jovina quando nos reuníamos ao redor do fogo, das batatas doces, do estalo da lenha, das noite frias da região de Simonésia, manhuaçu e Mucuri. Muitos parentes que, se não estão velhinhos, já se foram, outros são lembrados com pesar pelos parentes mais velhos que hoje vivem na Aldeia Vanuíra em Tupã, SP.
Embora todos fossem grandes contadores de histórias, não tinhamos, no tempo de minha infância, muitos momentos para ouví-las e compartilhá-las como é de costume nas aldeias indígenas de todo o país. A vida da cidade passou a consumir nosso tempo... Havia, obviamente, uma cultura sendo substituída por outra...
Meu pai nasceu numa aldeia de um grupo krenak em Manhuaçu, Minhas Gerais. Nesse tempo, seus pais e os outros buscavam se proteger dos constantes ataques de não-índios, fazendeiros, militares e capangas de coroneis da região do Rio Doce, Minhas Gerais. Isso era os anos de 1910...
Percebendo que havia uma sentença de morte na condição de ser "índio" no país, muitos abandonaram as aldeias - como meus avós - se dispersando para salvar a própria vida, outros, no entanto, desapareceramcompletamente. Houve também aqueles que corajosamente buscaram refúgio em outras aldeias de outros povos indígenas, como kaingang, ou tiveram sorte de se abrigar sob as precárias asas do antigo SPI.
(...)
"O Sonho de Borum" é um passo em direção essa identidade perseguida, negada, abandonada, perdida e esquecida de minha família.
A narrativa retoma, costura, desenterra lembranças e histórias de meus antepassados; histórias e memórias que estão tão escrustradas nas rochas do tempo. Contá-las só é possível pelos caminhos da Literatura...
Este livro nasceu de histórias que ouvi do meu pai (in memoriam) e dos meus tios. Alguns meses antes de morrer, meu pai revelou alguns episódios, me contou desses nossos parentes krenak...
Foi então que fui até Minas. Investiguei aqui e ali, e procurei saber e lembrar de tantas outras histórias narradas pelo tio Lúcio, pela tia Jovina quando nos reuníamos ao redor do fogo, das batatas doces, do estalo da lenha, das noite frias da região de Simonésia, manhuaçu e Mucuri. Muitos parentes que, se não estão velhinhos, já se foram, outros são lembrados com pesar pelos parentes mais velhos que hoje vivem na Aldeia Vanuíra em Tupã, SP.
Embora todos fossem grandes contadores de histórias, não tinhamos, no tempo de minha infância, muitos momentos para ouví-las e compartilhá-las como é de costume nas aldeias indígenas de todo o país. A vida da cidade passou a consumir nosso tempo... Havia, obviamente, uma cultura sendo substituída por outra...
Meu pai nasceu numa aldeia de um grupo krenak em Manhuaçu, Minhas Gerais. Nesse tempo, seus pais e os outros buscavam se proteger dos constantes ataques de não-índios, fazendeiros, militares e capangas de coroneis da região do Rio Doce, Minhas Gerais. Isso era os anos de 1910...
Percebendo que havia uma sentença de morte na condição de ser "índio" no país, muitos abandonaram as aldeias - como meus avós - se dispersando para salvar a própria vida, outros, no entanto, desapareceramcompletamente. Houve também aqueles que corajosamente buscaram refúgio em outras aldeias de outros povos indígenas, como kaingang, ou tiveram sorte de se abrigar sob as precárias asas do antigo SPI.
(...)
"O Sonho de Borum" é um passo em direção essa identidade perseguida, negada, abandonada, perdida e esquecida de minha família.
A narrativa retoma, costura, desenterra lembranças e histórias de meus antepassados; histórias e memórias que estão tão escrustradas nas rochas do tempo. Contá-las só é possível pelos caminhos da Literatura...
Nenhum comentário:
Postar um comentário